“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”, diz Caetano Veloso no primeiro verso da música “Língua”, e segue: “Gosto do Pessoa na pessoa / Da rosa no Rosa / E sei que a poesia está para a prosa / Assim como o amor está para a amizade.”
Caetano celebra a língua portuguesa pensando em “criar confusões de prosódias / E uma profusão de paródias”, com a ideia de que o mesmo idioma é falado em diferentes países, mas não se trata exatamente da mesma língua. No Brasil, vinga a equação Lusitânia + América = Lusamérica. A língua é um território cultural que não coincide com o território geográfico: “Minha pátria é minha língua.”
Olavo Bilac também celebra a língua portuguesa e faz uma verdadeira declaração de amor no soneto “A última flor do Lácio”. O poeta chama a língua de “inculta e bela” e diz: “És, a um tempo, esplendor e sepultura;” e se declara: “Amo o teu viço agreste e o teu aroma” e lembra que é no português: “E em que Camões chorou, no exílio amargo / Em que da voz materna ouvi: ‘meu filho!’”.
Essa língua o povo brasileiro precisa se apropriar.
Ainda é possível ouvir pessoas dizendo coisas do tipo: “Eu não escrevo porque não sou bom em português.” Quando ouço uma frase como essa, penso que nosso povo é tão sofrido que acha que não tem direito à própria língua. Isso passa muito pela escola e por professores que, no ensino do português e da gramática, não têm habilidade para transmitir paixão pelas palavras e acabam apenas ensinando regras.
Mas vamos celebrar!
Abaixo, links para o poema do Bilac e para a música do Caetano.
LEIA
https://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac/textos-escolhidos
“https://www.youtube.com/watch?v=lh9jvtLeTLQ
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Trabalho da disciplina Letramento Digital, ministrada pelo professor Daniel Garcia, do curso de Pós-Graduação em Linguagens Verbo-Visuais e Tecnologias do IFSul – Câmpus Pelotas.

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