Nem o nosso pai, Adão, em seus primeiros dias no paraíso, viu um gramado tão verde quanto o que resplandeceu na tarde de hoje no estádio Bento Freitas. Foi um domingo em que o futebol proporcionou o que há de mais legal em sua cultura: um encontro com os amigos, uma partida tecnicamente aceitável e uma vitória que alargou sorrisos.
Assisti ao jogo ao lado do meu pai e do meu tio. Meu tio soltou a desculpa de que precisava sair de casa para tomar um pouco de vitamina D. Tudo bem, acreditei. A cerveja que bebemos era apenas uma consequência. De fato, fazia calor, e o sol estava com aquela intensidade capaz de derreter catedrais.
O Brasil saiu na frente logo nos primeiros minutos do primeiro tempo. Os onze de camisa rubro-negra estão muito, mas muito mais entrosados do que os onze de toga lá de Brasília. Um cruzamento para a área e uma cabeçada maliciosa, no ângulo, abriram caminho para que os gritos saíssem das gargantas e tomassem conta da tarde.
Foi uma tarde em que babas de boi flutuavam no ar. Meu pai disse que isso era sinal de chuva. Não respondi, mas, em silêncio, forcei uma conexão direta com São Pedro e pedi em prece: amanhã não pode chover no Cine Nave. Essa superstição surgiu depois que um jogador do São Joseense sofreu um mal súbito em campo e, o árbitro, com um elã de pastor, ajoelhou-se e rezou fervorosamente, com os dedos apontados para o céu. Foi uma cena extravagante. Felizmente, logo depois, o Brasil marcou mais um gol.

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