Ela passou a tarde aqui em casa. Conversamos sobre poesia e lemos um livro do Wally Salomão que estava sobre o sofá. Deixei virar água do mate no livro. A lambança do dia. Até que foi uma cena boa para descontrair. Pra mim estar tomando chimarrão é porque tem visita. A visita seguiu lendo os versos sujos de erva, com o rosto na luz do sol que entrava pela janela.

É um sentimento bom conversar com uma pessoa que leu o mesmo livro. Há uma cumplicidade sorrateira. É como se um descobrisse um segredo do outro, como se tivessem a mesma tatuagem ou um parente incomum.

Um livro coloca as pessoas em cada uma. Queiram ler mais. Vocês vão ver o que vão encontrar. São aventuras dentro e fora das histórias. A imaginação tem essa malemolência de fazer as pessoas viverem situações memoráveis.

Quando ela comentou que precisava ir embora, eu estava cuidando o horário para ir assistir a Os Estonianos. Enquanto eu tomava banho, ela passou a minha camisa. Eu já tinha deixado o carro abastecido. Dirigi até o apartamento dela, pertinho da Catedral. Ela subiu carregando um livro que emprestei. Eu segui guiando, mas nem tinha chegado na Praça Coronel Pedro Osório quando apitou uma mensagem no celular dizendo que a peça havia sido cancelada.

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