Já faz um bom tempo e, de certa forma, ainda era a aurora da nossa identidade como país. Numa época em que, em qualquer rendez-vous, era preciso saber savoir-faire. Ou, ia-se a um debut no teatro assistir a um mise-en-scène. Isso nos idos do século dezenove, quando nosso dialeto estava tomado por francesismos e anglicismos que, apesar de serem um modo chic de se comunicar, para o gramático e latinista Antônio de Castro Lopes, soavam como um desaforo.

Castro Lopes foi o precursor de um dos grandes personagens da literatura brasileira, Policarpo Quaresma: lembra dele? No livro de Lima Barreto, Policarpo sugeriu, na Assembleia Legislativa, a adoção do tupi como língua oficial, quando o conceito de reparação histórica ainda era algo pré-cambriano na política brasileira.

Todavia, o Castro Lopes não tinha o mesmo verniz do Policarpo Quaresma. A sua indignação era contra as palavras estrangeiras que, a seu ver, estavam contaminando a língua pátria. No seu livro Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis, ele vai propor: “limpar a linguagem vernácula de vozes bárbaras e criar bons termos que no idioma português faltem para traduzir os exóticos”.

Ou seja, Castro Lopes vai se dedicar a criar palavras novas para substituir as estrangeiras. Mas, vejam só, muitas palavras estrangeiras não eram traduções com o mesmo significado, tipo: love = amor. Algumas palavras representavam invenções nomeadas naquele país. Assim, Castro Lopes vai propor a substituição de: chofer por cinesífero; abajur por lucivelo; anúncio por preconício; cachecol por castelete; turista por ludâmbulo; repórter por alvissareiro; futebol por ludopédio; peignoir por roupão; e menu por cardápio.

Por mais excêntricas que pareçam, algumas estão aí até hoje.

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