A ideia de diversão sempre esteve acompanhada de bebida. E, na diversão, nunca existiu o beber socialmente. Ficar bêbado sempre foi a meta da felicidade. “Na minha casa / todo mundo é bamba / todo mundo bebe / todo mundo samba”, cresci ouvindo. Ou ainda: “Amigo eu nunca fiz bebendo leite / amigo eu não criei bebendo chá”, cantou o Zeca. E vamos lá, concordo que beber é realmente prazeroso. Acontece que existe uma romantização da bebida, que vai transformando o prazer de beber, em momentos de festa, num refúgio para qualquer eventualidade.
A publicidade dá um empurrãozinho nessa romantização, principalmente, pela publicidade de cerveja. Conseguiu-se quase zerar, dos veículos de comunicação, os anúncios de bebidas destiladas e fermentadas. Agora, a cerveja, de certa forma, é ungida culturalmente. Isso cria um sentimento de pertencimento nas pessoas, e o prazer da bebida se torna algo “merecido”. Se estou cansado, bebo. Se estou feliz, bebo. Se está calor, uma cervejinha. Se está frio, uma taça de vinho. E, se faltar, o Zé Delivery entrega na porta de casa.
Não estou aqui querendo pregar moral de cuecas. Inclusive, vou tomar a minha cervejinha logo mais. O que me fez chegar nesse assunto foi ter assistido ao trailer do filme (Des)controle. Protagonizado pela atriz Carolina Dieckmann, o filme mostra a história de uma escritora que volta a beber depois de anos e vive, mais uma vez, essa tão conhecida tragédia do alcoolismo. Uma doença que pode começar com um Corote mal gelado ou com um Royal Salute servido em cristal.
Assim como ganhei amigos bebendo, um grande amigo se afastou por entender que a relação com a turma sempre acabava nos bares. Ele estava certo. Espero que esteja passando bem. Ver histórias que mostram onde o excesso pode levar é importante para a conscientização. (Des)controle estreia dia 5 de fevereiro. É um filme interessante para assistir nesse ano.

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