Ir à praia é tão bom quanto pão quentinho. Agora, pão quentinho depois da praia é melhor ainda. O mar cansa como uma maratona e o beque dá uma larica oceânica. No chuveiro do camping, tu entende o que é água doce. Na frente da barraca, vou recheando o cacetinho com a mão mesmo, e os farelos vão caindo na raiz da árvore. A namorada segue colocando pós-sol nos seios depois de uma tarde de topless.

Nada parece urgente. O céu em lusco-fusco está naquele momento em que o tempo parece desacelerar. Só o que importa é observar as cores. Há algo de triste e romântico na beleza do entardecer. Sinto que estou feliz, feliz e com calor. Como é bom sentir calor após um inverno rigoroso. O camping parece viver um momento de ócio. Até que um motoboy soa um tantinho estranho quando entra vestindo roupas de chuva e capacete, parecendo um Power Ranger carregando um saco de gelo.

O vizinho da barraca mais adiante segue bebendo seu uísque, agora um pouco mais gelado. Crianças pedalam, apostando corrida até o portão. Um senhor de bigode branco leva seus espetos de churrasco na direção do tanque. Vestido apenas de sunga, um jovem chega carregando um saco de carvão numa mão e sacolas do supermercado na outra. As cores do céu vão ficando mais desbotadas. Alguém acende uma lâmpada.

A namorada já está penteada e maquiada. Uma beleza queimada de sol resplandece no seu rosto. Linda, linda, com um ar selvagem fora do cotidiano. Saímos para jantar, mas antes passamos na pista de skate. Estávamos em cima da rampa quando a lua cheia apareceu intensamente iluminada, dando um efeito transcendental a esse dia no litoral.

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