O Xavante entrou em campo calçando as chuteiras da humildade, respeitando o adversário após o empate na primeira partida, mas não deixou eles se criarem. Desde o início do jogo, assumiu a postura de um Hércules frente aos seus doze trabalhos, avançou feito legiões romanas atacando bárbaros e, encarando o Aimoré como o exército persa do rei Xerxes, os onze de camisa rubro-negra jogaram com uma garra espartana de alma castelhana.

O 2×0 no primeiro tempo criou o ambiente para o momento mais sagrado na vida do torcedor, ver o seu time ser campeão. É um instante mágico em que tudo se transforma em alegria. Ao meu lado na arquibancada, teve pai abraçando o filho com força, genro que beijou a sogra, e esposa que se viu tão alegre que precisou mandar um WhatsApp pro amante, e estava tudo certo. Tudo é felicidade quando tu pode estufar o peito e gritar: É campeão, é campeão…

E o ruído ensurdecedor que se formava entre aquelas milhares de almas dava ao Bento Freitas uma grandiloquência de ópera. Nem um Andrea Bocelli, nem um Pavarotti têm o pulmão tão forte para gritar como gritou o torcedor xavante. Eram bocas pretas, brancas e amarelas, em algumas, visivelmente, faltavam alguns dentes. Mas esse detalhe ortodôntico ajudava o grito a sair da boca, extrapolar as arquibancadas e ecoar pelas ruas da cidade.

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