O novo bamba do conhecimento é o ChatGPT. Há inúmeros artigos na imprensa dando a máquina como insuperável, um sabichão que guarda milhares de terabytes de conhecimento e os computa em segundos. Alguns já têm como certo que os escritores logo-logo levarão um 7×1 da inteligência artificial, eu ainda tenho algumas dúvidas.
Num dia desses iniciei o teste de Turing com o ChatGPT, e fui direto a parte que me toca, sem cumprimentos, pedi que ele escrevesse uma crônica sobre o Café Aquários: “O café Aquários é uma instituição nesta pequena cidade mineira. Fundado há mais de 50 anos, o estabelecimento é o ponto de encontro favorito dos moradores locais, que se reúnem lá para tomar um cafezinho e bater um papo descontraído”, disse a I.A.
Essa redação entregue por um aluno que está se esforçando para fazer a quarta série forte, se a professora bocejar na leitura, o ChatGPT passa com média. Lembrei agora de uma história: a da tradução do romance Ulysses feita pelo Antônio Houaiss. Era como se tu ligasse pra falar com o James Joyce e o Antônio Houaiss não saia da linha. À boca miúda, diziam que o maior dicionarista do Brasil conhecia todas as palavras, mas não conseguia juntá-las.
Brincadeiras à parte, o gerador de texto da OpenAI é uma ferramenta surpreendente. Ainda são textos recheados de lugares comuns, mas logo ele vai se aprimorar, aí é que são elas. Uma coisa que a I.A. não vai conseguir tão cedo — é a experiência humana, ela pode até descrever o gosto do cafezinho do Aquários, mas não consegue queimar os beiços na xicrinha pelando de quente.
24/04/2023

Deixe um comentário