Todas as vezes que fui ao Largo do Mercado, havia gente vendo as fotografias da exposição Memorial das Águas. Alguns olhavam de longe, outros paravam e analisavam as imagens uma por uma, lendo as legendas e procurando entender as histórias. Essa é a quarta exposição do projeto, intitulada Gratidão, que relembra, em fotografias, a maior tragédia ambiental da história do Rio Grande do Sul.

A fotografia é uma troca de olhares. O espectador é atingido pelo seu conteúdo, sem tempo para se defender. A fotografia é uma linguagem que, nesses tempos de ultra velocidade das informações, consegue chamar a atenção para temas sérios. Poucos parariam, digamos, por 15 minutos, para assistir a um documentário audiovisual sobre uma tragédia. A fotografia proporciona às pessoas refletirem sozinhas, no seu tempo, fazendo a leitura de acordo com a sua vivência.

O fotógrafo é um ilustrador da história. Esses profissionais estudam, praticam por anos, investem em equipamentos necessários e, muitas vezes, correm riscos para conseguir captar um fato importante. Chegamos agora a um comentário que é triste: há uma desvalorização dos profissionais da fotografia. É também uma desvalorização de mercado, mas, quando ela chega ao nível comportamental, torna-se algo desrespeitoso.

Não há quem trabalhe no ramo e não tenha ouvido algo do tipo: “Tu faz umas fotinhos pra mim?” ou “coisinha simples”, como se o fotógrafo estivesse sendo convidado para um piquenique, e não para trabalhar. Ou ainda mais invasivo: “Tu não quer dar uma força?”, situações que diminuem o trabalho do profissional. Mas, nesses tempos de redes sociais, há ainda uma situação pior, quando alguém quer usar a tua foto e acredita que dar os créditos é suficiente. A frase: “Eu coloco teu @” virou a expressão representante da desvalorização criativa.

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