Acordar em uma cidade pela primeira vez é como se tudo pudesse acontecer. Mesmo que, no segundo dia, comece a chover, e essa cidade tenha uma relação íntima com o sol, talvez até uma relação mais intensa, sendo quase sinônimo de sol — claro que estou falando do Rio de Janeiro.

O Rio em dias de chuva é como uma confeitaria diet, há doces muito gostosos, porém, no fundo, falta alguma coisinha. Mas, vamos lá, não é preciso excelência no tempo para que grandes sorrisos venham à tona. Basta praticar o esporte que é o tempero da personalidade do turista: caminhar.

Grandes cariocas ganharam a vida caminhando. O jornalista João do Rio fez do ato de caminhar a criação de sua obra. No livro A Alma Encantadora das Ruas, ele inicia dizendo: “Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que esse amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos nós.”

Tanto por isso que, assim como em Veneza se passeia em gôndolas, o ato de caminhar no Rio é uma atração turística. E foi caminhando pela Rua do Ouvidor que cheguei a uma livraria onde havia livros do jornalista Ruy Castro autografados. O livreiro era amigo do escritor e, em poucos minutos falando sobre livros, tornou-se também meu amigo. Com isso, um dia de chuva, um dia molhado, se tornou inesquecível. Aliás, a livraria se chama Folha Seca.

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