“Isso de querer / ser exatamente aquilo / que a gente é / ainda vai / nos levar além.” Esse poema do Paulo Leminski é inspirador, ainda mais quando lido com menos de vinte anos. Eu tinha entre dezoito e dezenove quando conheci esses versos. Os li no site pensador.com, onde até hoje descubro boas frases de grandes escritores.
A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) deste ano, que teve o Leminski como autor homenageado, mostrou que ele foi um grande escritor. Um escritor que se dedicou a construir um trabalho com prazer e, além disso, é claro, bastante esforço. Sem esquecer, talento para ser poeta.
Nesta edição da FLIP, fui espectador de algumas mesas via YouTube. Queria estar pisando nas pedras irregulares e centenárias de Paraty — não estive —, mas o conteúdo chegou lisinho, em high definition. Entre as tantas coisas surpreendentes que a humanidade criou, como a bomba atômica, o modis e a airfryer, a internet está entre as primeiras da fila.
Acompanhando, ao vivo, os grandes escritores da FLIP em conversas sobre letras, tive uma percepção. Nas mesas que assisti, não rolou nenhuma palavrinha sequer sobre um único pelinho do bigodão do Leminski. As pessoas estavam sendo — exatamente aquilo / que a gente é.

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