Em uma exposição de fotografias no saguão da Prefeitura de Pelotas, as imagens mostravam cenas de pessoas feridas e mortas. Registradas em coberturas jornalísticas de tragédias da cidade, essa seleção mórbida causava um desconforto evidente em quem passava os olhos pelos quadros. Mas ainda tem mais: no dia da vernissage, o fotógrafo entrou na exposição dentro de um caixão. Dá pra acreditar?

Ainda preciso achar uma fonte documental desse acontecimento. As pessoas que me falaram sobre essa exposição não se empolgaram muito nos detalhes e, depois de um comentário e outro, logo trocaram de assunto. Mas quem era esse cavaleiro das trevas, esse Ozzy Osborne da fotografia? Seu nome todos se lembram e repetem: Vilmar Tavares.

Vilmar foi um profissional com liberdade criativa. Fez sua carreira no jornal Diário da Manhã, onde editou a coluna que se chamava “Imagens”: uma página inteira, sem texto, com fotografias feitas durante a semana em curso. Tu conhece algum jornalista que manteve uma coluna fotográfica?

Atuando em jornal diário, seu trabalho se tornou bastante popular, muito influenciado pelas fotografias para a editoria de polícia. É inimaginável que alguém conseguisse fazer uma exposição com fotografias de tragédias no salão de entrada da prefeitura, mas o Vilmar, pelo jeito, tinha moral para isso. Sua figura ficou tão marcada na cidade que a rua onde morava foi batizada como Rua Vilmar Tavares – repórter fotográfico. Hoje fazem 14 anos do seu falecimento.

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